Heloisa Buarque de Holanda e Michel Melamed foram destaques ontem (17), no primeiro dia de discussões do Festival Recifense de Literatura – A Letra e A Voz, na Livraria Cultura. Eles discutiram o tema “O Livro Desmaterializado”.

Heloísa e o músico Fred Zeroquatro (PE) debateram sobre Poesia Funcional. Com opiniões bastante divergentes, Heloisa e Fred Zeroquatro proporcionaram uma discussão interessante sobre “a morte do livro”. Segundo Fred, a exemplo do que aconteceu com a indústria fonográfica, que condenou as gravadoras e está promovendo a extinção do CD como mídia viável, o livro materializado perderá espaço em pouco tempo, bem como os direitos do autor com o chamado copyleft. “A tecnologia é algo que nos favorece, mas temos que tomar cuidado com o chamado fundamentalismo tecnológico”, afirmou Fred.

Em contrapartida, Heloisa argumentou que o livro, como objeto de fetiche, nunca deixará de existir, pois sempre encontrará mercado consumidor. Segundo ela os novos suportes ajudarão a difundir a literatura para outros públicos, sobretudo os adolecentes, mas os novos e antigos meios coexistirão. “O livro é um suporte precioso e não vai se extinguir. A palavra está explodindo por conta das novas ferramentas, mas isso não vai acabar com o livro”, argumentou.

Heloísa lançou este mês a coletânea virtual multimídia ENTER, que contou com poetas, escritores, cartunistas. Entre os nomes estão Nega Gizza, Marcelino Freire, Andre Dahmer, Lirinha, Arnaldo Branco, Rafael Grampá, Sérgio Vaz, Gabriel Bá e Fábio Moon, Ramon Mello, Bruna Beber, Alice Sant’Anna e Omar Salomão.

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