Um estudo da malícia
A garota de Mônaco aborda romances estapafurdios com as reticências que eles merecem
Por Rafaella Soares

A GAROTA DE MÔNACO
Anne Fontaine
[La Fille de Monaco, fra, 2009]

Má notícia pros garotos: putas não vêm com manuais de instrução, ou coisa que o valha. Putas, daquelas boas mesmo, no sentido sintático da palavra, são, como bem já definiu Fernanda Young, uma orelha de Mickey em um quebra-cabeças medieval. More ela em Niterói ou num balneário francês.

Recentemente, as fotos vazadas do premiê italiano Silvio Berlusconi, na companhia de uma ex-menor de idade – na verdade, na festa de 18 anos da “modelo” e apadrinhada Noemi Letizia – acabaram numa tacada só com o casamento de 19 anos com Veronica Lario, o que ele ainda tinha de reputação e o respeito velado da imprensa.

Foi assim com o velhote corrupto de 73 anos no país em forma de bota, foi assim na ficção com Bertrand.

Enrabichado de prima pela bela bisca da Audrey, uma em muitas no universo burocrático e insosso dele, porém a única a chacoalhar seu mundinho com toda a sorte de astúcias que uma mulher de corpo fenomenal e sem nada a perder é capaz.
Aquela velha história cara entediado conhece garota + garota vivaz / ambicosa enreda coroa + coroa “desperta pra vida” com menina insípida + amigo tenta abrir os olhos…e vamos rumo ao precipício.

Roschdy Zem ( notável, de coadjuvante não tem nada) é o guarda-costas que deve ciceronear Christophe, brilhante advogado.

Na rápida incursão pelas terras do prícipe Rainier, ele vai exercer a defesa de uma mulher da alta sociedade acusada de matar o amante jovem que começava a flertar com seu filho gay – meta-história que poderia ter sido mais aproveitada, mas claro, em detrimento das belíssimas locações.

Audrey enganaria qualquer um, com sua expansividade e a admiração ferrenha pela princesa Diana. Como se ser fã de uma celebridade conferisse algum altruísmo à sua vulgaridade atroz.

Um trhiller envolvente, no melhor estilo clássico de videolocadora, porém com mais consistência.

A garota de mônaco foi indicado ao César 2009, nas categorias Melhor Ator Coadjuvante (Roschdy Zem) e Melhor Atriz Revelação (Louise Bourgoin), mas Fabrice Luchini tabém se destaca, como um nome à altura de Daniel Auteil, que não deve poder dar conta de todos os projetos pra que é chamado.

NOTA: ??

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