Letícia Novaes, o nome por trás do Letrux, é uma cantora e compositora que sabe bem que o drama e o deboche andam bem próximos. Em Noite de Climão, seu álbum de estreia, traz um mergulho na noite para falar de momentos dramáticos, patéticos, cômicos, alegres, apaixonados. Esse tom irônico e cheio de humor, aliado às batidas inusitadas no pop, fazem desse disco um dos mais celebrados no ano passado.

Ex-integrante do duo Letuce, Letícia decidiu explorar novas sonoridades e propostas artísticas neste disco. Além de faixas sobre questões do feminino, desilusões amorosas, o trabalho tem também alegorias que falam desse momento atual do País, pós-golpe. “O climão é denso mas também tem humor. Sou muito solar, mas quis mergulhar na noite e foi delicioso”, diz Letícia em entrevista por e-mail à Revista O Grito!.

Letrux é uma das atrações do Guaiamum Treloso Rural, a prévia carnavalesca que acontece em Aldeia, na Região Metropolitana do Recife. A programação traz ainda Baco Exu do Blues, Pupila Nervosa, Elza Soares, entre outros.

Conversamos com Letícia sobre climões, pop brasileiro e Carnaval.

Como surgiu a ideia de fazer o Em Noite de Climão? E de onde vem o nome?
Após quase 10 anos com Letuce, tava com vontade de brincar de outras coisas, outros climas. Arthur Braganti, meu melhor amigo e também tecladista e um dos produtores do disco, me incentivou a fazer algo meu, disco solo. Temos humor parecido e em 2015 começamos a nos deparar com o climão que é estar vivo hoje em dia. Brabo. Mas como somos dado à graça, a gente prefere rir, então o climão é denso mas também tem humor. Sou muito solar, mas quis mergulhar na noite e foi delicioso.

O seu disco foi um dos mais aclamados do pop brasileiro no ano passado, mesmo sendo ele bastante inusitado, inovador. Ficou surpresa? O que está achando da repercussão até aqui
Estou bem contente com o entusiasmo das pessoas, gente nova, criança, galera de outra geração. Esse disco foi feito de maneira intensa, tinha vezes que eu duvidava dos caminhos, mas logo me emocionava com algo e sentia que era pra seguir.

O disco aborda questões como sexualidade feminina, desilusões amorosas, mas também traz alegorias para falar do estado do Brasil hoje. Como foi compor as letras desse disco?
Sinto que sou antes de tudo, escritora. Canto porque tenho um negócio dentro de mim, que não é exatamente um pássaro, mas uma força, um querer, um devir. Mas escrevo muito, todo dia, nem que seja uma frase. As letras do disco abraçam diversas fases da minha vida, desde 2012, então tem muitos bastidores da minha vida por ali, algumas invenções. Curto ir do drama até o deboche, vivendo nesse país golpeado, às vezes a gente só quer “pedir socorro agora”.

Foto: Ana Alexandrino.

Na sua opinião, qual a importância dos artistas em se posicionarem em relação à situação do País?
Viver é um ato político, estar vivo é estar atento. Claro que existem as férias e os momentos de suspensão, mas é preciso estar ciente do que está acontecendo no nosso país, e não tá NADA legal.

Seu show aqui é em uma prévia de Carnaval (mas com um lineup que mais parece um festival). O que acha do Carnaval daqui de Recife, já tinha vindo, enfim, se considera uma “foliã”
Sim, fui uma vez para o carnaval em 2000. Meu avô era pernambucano, tenho orgulho disso. Eu tinha 18 anos em 2000, estava na casa da minha melhor amiga que morava aí na época, mas não bebia nem nada, outros tempos, eu era mais infantil mesmo e amava ser assim risos. Me diverti muito, Recife Antigo, Olinda, Alceu, vários shows, foi um verão muito feliz.

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