5 Perguntas: Mariana Cagnin, autora da HQ Vidas Imperfeitas

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Foto: Divulgação
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A quadrinista paulistana Mariana Cagnin criou sua própria heroína para fugir dos clichês do gênero. Ela inventou Juno, a protagonista da HQ Vidas Imperfeitas, novo lançamento da HQM Editora, que chega este mês às bancas e comic-shops.

A HQ surgiu inicialmente na web, na rede social de artistas devianART e depois ganhou uma versão independente, que ajudou a divulgar a obra em eventos de mangá. Agora, por uma editora, a revista ganha a chance de cativar um público maior. O lançamento está inserido no ótimo momento que vive a HQ nacional, com o surgimento de diversos novos artistas.

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Vidas Imperfeitas conta a história de uma jovem que precisa lidar com problemas típicos da adolescência de uma maneira bastante assertiva e confiante (e violenta quanto preciso). “Há muito de Mariana, ilustradora de 23 anos, que decidiu criar Juno quando estava para entrar na faculdade. Eu gostaria de ser como ela em alguns aspectos. Talvez esta tenha sido a forma de mostrar quem eu gostaria de ser, mas foi muito além disso. Eu amadureci junto com a Juno”.

Veja a entrevista que fizemos com ela.

vidasimperfeitas

Quando e como surgiu a ideia de criar a HQ Vidas Imperfeitas?
A ideia surgiu de 2008 pra 2009, numa época que estava pra entrar na faculdade, foi quando eu criei a protagonista Juno, que eu queria que fugisse um pouco do padrão de protagonistas. Queria que ela fosse uma garota que tivesse mais controle sobre sua vida, que fosse forte e um pouco violenta. Depois de criar os personagens e a trama, resolvi começar a desenhar páginas bem simples, só pra colocar as ideias no papel. Decidi postar as páginas no site DeviantART e recebi um retorno inesperado de pessoas pedindo por mais, e assim continuei a desenhar. Ao entrar na faculdade, entrei em contato com autores fanzineiros e decidi transformar minha história num fanzine também.

O que acha da representação feminina nos quadrinhos de hoje?
Eu sei que existem muitas garotas produzindo quadrinhos hoje, mas sinto que há pouco reconhecimento e visibilidade, tanto por parte do público quanto pelo meio quadrinista. Aos poucos, estamos cavando nosso espaço, mas ainda há muito caminho pela frente.

Quais foram as inspirações para criar a heroína da série? Tem um pouco de você na personagem?
Sim, existe um pouco de mim em todos os personagens, mas em especial na Juno. Sempre tive o ímpeto de correr atrás das coisas que eu quero, apesar de não ser tão corajosa (ou fisicamente forte) quanto ela. Eu gostaria de ser como ela em alguns aspectos. Talvez esta tenha sido a forma de mostrar quem eu gostaria de ser, mas foi muito além disso. Eu amadureci junto com a Juno, junto com a história, e agora tudo o que criei tem um significado diferente. Foi uma fase pela qual eu passei, e que todos já passaram algum dia, a adolescência, e sobre como ela deixa marcas. Quanto as inspirações, eu me inspiro por basicamente tudo, pelas coisas que vejo/leio, pelas pessoas que conheço no meu dia a dia, por acontecimentos às vezes banais, enfim, tudo aquilo que me chama a atenção, me inspira de alguma forma.

Vemos muito trabalhos de artistas brasileiros em formato livro, graphic novel, etc, mas é difícil ver séries periódicas. Sente a pressão de manter um título mais longo?
As pessoas publicam em formatos fechados porque é o mais seguro, tanto para os autores quanto para o público, que prefere consumir algo já pronto do que apostar numa série que pode nunca terminar de ser lançada. Mas estamos falando do meio editorial impresso. A internet é livre e lança todo tipo de material. Na internet, os autores tem mais liberdade de produzir e postar periodicamente sua obra. E bem, como minha obra já está pronta e foi publicada primeiramente como fanzine, eu produzia quando tinha tempo, então não houve pressão exterior para produzi-la.

Depois dessa HQ quais os seus planos para o futuro dentro do universo dos quadrinhos?
Ainda estou avaliando possibilidades, mas gostaria sim de continuar produzindo quadrinhos, e quem sabe daqui pra frente, essa realidade se torne mais acessível.

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