UMA IDENTIDADE NOVA

Desde quando a cultura fast food se instaurou com força no sangue social, passamos a viver no mundo da superexposição. As pessoas vendem a alma e até o seu entorno para aparecer a todo custo. Um exército de candidatos estão na fila para viver seus 15 minutos de fama, sua rápida inserção no império do efêmero. E poderíamos dizer que Warhol errou feio nas suas previsões acerca do anonimato. Afinal, até cachorro sente um impulso de ser visto, revisto e alisado por todos. Passou a ser difícil, então, apontar quem deve e quem faz por onde ser tema no cenário da cultura pop. Seja cantor, seja cineasta, seja uma banda, seja um escritor, um livro que merece ser relido. E nosso trabalho é esse de descobrir e mostrar, de outro jeito, aquilo que merece estar na cena, que merece fazer e acontecer da maneira que acreditamos que a vida deva ser: divertida, pervertida, elegante, sincera e recheada de novos nomes importantes.

Para incrementar essa missão, O Grito! começa uma nova fase. Com quase um ano de estrada, já que nasceu em julho de 2007, a revista amplia sua capacidade de descoberta e mantém sua proposta editorial embrionária de trazer um conteúdo jornalístico completamente diverso daquilo que encontramos em jornais, revistas e na própria Web. De um lado está uma multidão blogueira com texto excessivamente pessoal e anônimo. Do outro estão os veículos de grande porte com sua visão institucional. Nós estamos no meio disso tudo. Caminhando numa corda bamba, sem se corromper, sem ser inominado. E por isso O Grito! está somando ao seu time, mais 10 jornalistas e 10 colaboradores espalhados por todo Brasil e distribuídos em seis novíssimas sessões. Além de dois correspondentes. Um instalado em Santiago, no Chile, e outro em Bristol, Inglaterra.

A revista estréia três blogs novos. Figurino Br vai falar de moda e modismos alheios; Velocete, de tudo aquilo que o indie mais gosta; e Cultura Clipe, que estréia terça que vem, da principal ferramenta da visualidade pós-moderna: os vídeo-clipes. Além disso, são seis colunas no ar. Todas escrita por gente super bem entendida: Joana Coccarelli, Carol Santos, Raul Luna, Valentina Finocchiaro e misteriosa Rainha do Maracatu Roubada de Ouro. As temáticas? As mais variados possíveis. Desde a pura pintosidade à polemicidade da internet e popices. Fora isso as sessões Coleção, Metaweb e Nova Cena.

E nessa edição fizemos uma seleção toda especial que vai desde dos livros classudos de Gógol (Almas Mortas) e Beckett (Molloy), ambos relançados com préfacios mais recheados, ao novo projeto de Gruss Rhys do Super Furry Animals, Neon neon. Na capa, porém, está o artista plástico, ilustrador, desenhista e quadrinista Shiko. O bunito nasceu na Paraíba, e sua obra merece no mínimo um olhar diferenciado. Na categoria cinema os olhos se voltam ao pernambucano Léo Sette. Ele está lançando o curta Ocidente que é o mais puro experimentalismo. Novidade novíssima.

Bem, amarrar uma revista todas as semanas no início ao fim e sempre com coisa nova não é tarefa das mais fáceis. Não é simplesmente jogar fotos e fazer qualquer tipo de texto. Tudo vai e volta. É discutido, lido e questionado. Tentamos, a cada edição, trazer temas irresistíveis, quentes e imperdíveis. Isso porque consideramos 15 minutos de fama muito pouco. Queremos radiografar tudo que estiver ao nosso alcance. Tal como o sentimento de época.

Boa Leitura!

Os editores.

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