Elvis Presley (Foto: Divulgação)

OBITUÁRIO DO ROCK
Com 33 filmes na carreira e carisma que ainda angaria fãs no mundo todo, Elvis Presley está no rol dos astros mais importante do universo pop
Por André Azenha

As opiniões sobre o “Rei do Rock” são distintas: enquanto alguns o vêem como um “pobre garoto sulista burro com um empresário paizão” (segundo Lester Bangs), há quem o achasse tão carismático quanto Rodolfo Valentino. Sua morte, em 16 de agosto de 1977, só evidenciou o culto à sua figura, mesmo ele tendo vivido uma fase decadente nos últimos anos de vida.

Foi na esteira desse “aniversário” que uma penca de DVDs chegou ao mercado nacional ano passado, entre inéditos em vídeo e novas versões “reembaladas”. Elvis fez 33 filmes durante a vida, um recorde para quem a crítica dizia não saber atuar. Seus longas arrecadaram centenas de milhões em bilheteria e nem podia ser diferente – ele é o artista que mais vendeu discos até hoje, com mais de um bilhão de álbuns comercializados. Carisma pouco é bobagem.

Ninguém discute que Elvis é o cara mais importante da música pop, quiçá do “universo pop” tal qual o conhecemos hoje. Além de cantar pra burro, tinha o rebolado certo na hora certa e foi o grande responsável pela principal revolução musical e adolescente no século XX. Sem ele, e isso é um clichê, mas é pura verdade, nada do que veio depois, seja punk, pop, metal ,etc teria visto a luz do sol. Não existia antes e nem surgiu depois quem despertasse tanto a imaginação e a libido em corações e mentes juvenis.

Bem produzidas ou não, suas obras cinematográficas tinham tudo o que um garoto adora ver: o herói cercado por garotas lindas e gostosas, vivendo aventuras radicais e andando em carrões. Dessa batelada de DVDs, alguns merecem destaque especial.

Para começar, chega o filme que melhor captura a energia do jovem Elvis, O Prisioneiro do Rock (1957). Favorito dos fãs, integra a chamada “trilogia rebelde” dos anos 50, que retrata o cantor como transgressor e incompreendido, na linha de “Juventude Transviada” – que ele idolatrava.

Em O Prisioneiro do Rock, o astro vive um jovem que, após ser enviado à prisão por ter matado acidentalmente um homem, decide cantar atrás das grades. Mas as coisas se agitam quando uma bela caçadora de talentos surge pelo caminho. Destaque para a antológica cena da canção ‘’Jailhouse Rock’’, que foi coreografada pelo próprio Elvis. Reprisada várias vezes na TV, ao longo dos anos, acabou virando um dos primeiros videoclipes. Tornou-se tão popular que em pelo menos duas oportunidades foi homenageada no cinema: em The Blues Brothers (1980), com John Belushi e Dan Aykroyd, onde a canção “Jailhouse Rock” também é executada em uma prisão, e no divertidíssimo Cry Baby (1990), com Johnny Depp bancando o roqueiro de topetão, novamente no interior de um presídio. Em 2004, O Prisioneiro do Rock entrou para o “Registro Nacional de Filmes” (United States National Film Registry) dos EUA, consolidando sua importância histórica.

Entre 1958 e 1960, o roqueiro esteve no exército, período no qual conheceu sua futura esposa Priscilla. Quando retornou do serviço militar, substituiu a imagem de rebelde pela de bom moço, passando a exe-cutar um repertório “mais calmo”, canções de inspi-ração gospel e baladas românticas como ‘’Are You Lonesome Tonight?’’ e ‘’Can’t Help Falling in Love’’.

Elvis Presley (Foto: Divulgação)

Entre os lançamentos em DVD da década de 60, chama atenção o famoso Amor a Toda Velocidade (1964), em que o ídolo contracena com Ann-Margret e canta a clássica ‘’Viva Las Vegas’’. A imprensa chegou a anunciar que os dois iam casar. De fato, a química do casal quase incendeia a tela e levou o empresário “paizão” Coronel Tom Parker a brigar com o diretor, o experiente George Sidney.

Outra curiosidade, Viva um Pouquinho, Ame um Pouquinho (1968) chama atenção por suas “ousadias”. A última parceria entre Elvis e o diretor Norman Taurog, responsável por uma dúzia de comédias leves do artista, é o único de seus filmes a realmente lidar com a trilogia sexo, drogas e rock’n’roll e inclui uma trilha diferenciada, com incursão ao rock psicodélico, bossa nova do brasileiro Luis Bonfá e o single “A Little Less Conversation”, que na época foi o menos vendido da carreira de Elvis, mas virou um fenômeno e número 1 em vários países no século 21.

Os filmes de Elvis viraram “um gênero próprio”, inspirando as produções da “Turma da Praia”. Eram divertidos, mas Elvis concordava com a crítica, que os achava descartáveis. “Obrigado” pelo Coronel Parker a largar os dramas por comédias musicais, o roqueiro caiu em depressão e nas drogas. Além de uma saúde debilitada (fato evidenciado pelo ganho de peso), houve o estouro dos Beatles – segundo o próprio John Lennon, o quarteto não teria existido sem Presley –, que começou a lhe roubar o público.

Elvis Presley (Foto: Divulgação)

Mas Elvis nunca desapareceu por completo. Após a morte, o cantor continuou nas telas, em inúmeras homenagens e documentários, como “Elvis – O Ídolo Imortal”, que traz, inclusive, cenas de seu funeral. Sua morte paralisou os EUA. Mas 30 anos depois é como se ele continuasse em plena atividade. O relançamento de seus hits ainda chega ao primeiro lugar de diversas paradas internacionais e, este ano, Elvis até voltou a aparecer na TV “ao vivo”, num dueto do além (na verdade, via rotogravura) com Celine Dion no programa de maior audiência dos EUA, “American Idol”. Elvis morreu, mas não saiu de cena.

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