Com muita gente “de peso” envolvida, disco do projeto 3 Na Massa tem originalidade demais, mas é insosso
Por Fernando de Albuquerque

3 NA MASSA
Na Confraria das Sedutoras
[Deckdisc, 2008]

O time de cantoras do 3 na Massa é de peso. Os produtores também: com Rica Amabis, do núcleo paulista Instituto, Dengue e Pupilo (baixista e baterista, respectivamente, no Nação Zumbi). Completando a tríade, o disco também é de peso. E de tanto peso (peso das cantoras, peso dos produtores e peso da sonoridade), o CD é um saco. São vozes femininas, completamente díspares, cantando músicas que seqüencialmente não representam uma unidade e que mais parecem zunzunzum sussurrado da coxia durante um espetáculo de quinta.

Intitulado Na Confraria das Sedutoras, o álbum conta com 13 mulheres, em 13 faixas escritas por homens e que abordam temas relativos ao universo feminino. As músicas saem da boca de Pitty, Thalma de Freitas, Nina Becker, Alice Braga, Karine Carvalho, Leandra Leal (que canta em francês) e o ambiente criado por elas mais sugere um cabaré decadente e pouco animado do Leme com trilha sonora de Serge Gainsbourg. Ou seja: um projeto interessantíssimo, que não rende mais que uma conversa de bar repleta de dor de cotovelos.

Já entre os homens envolvidos estão os letristas Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e Junio Barreto – que oferece versos a duas músicas. Além de acordes e guitarras de Maurício Takara (Hurtmold), Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Luca Raele (Sujeito a Guincho) e Bactéria (Mundo Livre S/A). Tanta gente envolvida só poderia gerar duas coisas: um disco indiscutivelmente correto, porém sem identidade.

Em uma audição em separado, faixa por faixa, com um longo espaço de tempo entre elas (umas três horas, por exemplo), pode-se perceber o talento por trás de cada música. Mas quando juntas e seqüenciadas o impulso é de colocar o disco para fora do leitor e relegá-lo a um lugar pouquíssimo nobre no case de CDs antigos e pouco escutados.

NOTA: 3,0

Sem mais artigos