Mesmo longe de sua melhor performance, Gaiman faz um pequeno clássico da Marvel

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1602 – Edição Definitiva
Neil Gaiman (texto) e Andy Kubert (arte)
[Panini, 256 págs, R$ 44,90]

1602 é um clássico produzido sob encomenda e, por mais que possamos duvidar de obras desse tipo, não podemos negar que o autor inglês Neil Gaiman é exímio em conduzir narrativas pautadas pelo fascínio ao fantástico. O que pode ser mais fantasioso que as “maravilhas” (Marvels), aqui transportadas para o período vitoriano?

Lançado em formato de mini-série em 2004 pela Panini, 1602 ganha agora formato encadernado. Inúmeros são os motivos para o frisson com que a série foi recebida. Foi a primeira colaboração do cultuado Neil Gaiman com a Marvel, depois de uma relação de anos com o selo Vertigo, da DC Comics. Após 1602, a editora de Homem-Aranha e X-Men retomou sua atenção aos romances gráficos, criando obras nem sempre bem-sucedidas, mas marcadas pela tentativa de fugir à mesmice na forma e no conteúdo de suas revistas mensais.

Gaiman pegou os nomes mais conhecidos da Marvel e os transportou 400 anos no passado, quando a rainha Elizabeth 1ª governava a Inglaterra. O rei James, da Escócia planeja ampliar seus domínios tomando para si a coroa inglesa e é nesse cenário de intrigas que a trama se instala. Completam a história uma série de eventos climáticos misteriosos, que serão investigados pelo médico e mago real, Stephen Strange.

Como é típico em seu estilo de escrever, Gaiman desmancha o roteiro, tornando-o sinuoso, elíptico. Dessa maneira, o leitor encontra várias possibilidades e acaba imerso na história. A aparição dos mutantes como sanguebruxos pode, de início, parecer um pouco forçado, mas se sustentam conforme a trama avança. Só ficou um pouco sem sentido a utilização de Hulk, que poderia ser melhor aproveitado, ou até mesmo, não usado.

1602, entrará com certeza, no rol de grandes obras da Marvel em tempos recentes, mas não nas melhores de Neil Gaiman. A razão é simples: por mais que o autor de Deuses Americanos e Sandman seja bom em construir personagens e narrativas de fantasia, 1602 é uma história de super-heróis marvel e todas suas idiossincracias. Gaiman consegue contorná-las, mas esta HQ está longe de todo seu potencial como escritor de quadrinhos.1602-edicao-definitiva.jpg

Os desenhos de Andy Kubert estão primorosos. Utilizando a técnica de lápis melhorado, o desenhista dispensou arte-finalistas e foi colorido por Richard Isanove. O trabalho casou bem com a idéia de Gaiman. Graficamente, 1602 é uma das obras mais impactantes dos quadrinhos recentes. A edição de luxo lançada agora, comprova isso. A Panini disponibilizou também uma versão mais barata, sem capa dura, mas é altamente recomendável uma olhada, mesmo que seja numa livraria da outra versão. Agora com outros projetos pela Marvel, Gaiman mostrou que seu retorno com esta série foi proveitoso para as HQ’s. [Paulo Floro]

NOTA: 8,5

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