12 RAZÕES PARA AMÁ-LA
Jamie S. Rich (texto) e Joële Jones (arte).
[Devir, 152 págs, R$ 22]

A Devir está com um bom checklist de lançamentos, diversificando o mercado de quadrinhos brasileiro e lançamentos da editora norte-americana Oni Press sempre são bem-vindos. Esta pequena HQ mostra em 12 curtos capítulos a história do casal Gwen e Evan. Cada parte é batizada com uma música, lembra aquelas coletâneas que namorados fazem para presentear seus parceiros. Ótima idéia, sobretudo da Devir, em apostar num público não acostumado aos quadrinhos. 12 Razões para Amá-la, é o tipo de entretenimento rápido e prosaico, mas nem por isso menos sacado ou inteligente.

Gwen incorpora o estereótipo da mulher moderna, histerismo contido e bem-sucedida na carreira e no sexo. Também é culta e exala referências em cada quadrinho, outro ponto forte. Evan também encarna um estereótipo. Não entende as mulheres, é sensível e apaixonado. O texto de Jamie S. Rich possui intenções interessantes, mas por vezes desvala para situações-chave, soluções piegas e um pouco de afetação. Alguns diálogos não soam naturais, ficam truncados.

A trama é bem construída, e consegue se sair bem em poucas páginas de cada capítulo. Até mesmo uma crise no final do livro (isso pode parecer óbvio, em se tratando de história de amor), o autor encontrou uma saída criativa.

Os desenhos por vezes perdem o ritmo, sem muito exercício de formas, porém combinam com a trama, leve e bastante direta. Percebe-se em 12 Razões certa pretensão de se tornar cult, mas estão distantes do 9 Canções, filme de Michael Winterbottom com a mesma premissa, lançado em 2005. Mesmo sendo outra mídia, o livro se encerra na última página e Gwen e Evan não perduram no imaginário do leitor, como os bons e marcantes personagens do filme. [Paulo Floro]

NOTA: 6,0

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