100 BALAS – ATIRE PRIMEIRO, PERGUNTE DEPOIS
Brian Azzarello (texto) e Eduardo Risso (arte)
[Pixel Media, 84 págs, R$ 6,90]

O número de vezes que a série 100 Balas foi publicada no Brasil só mostra o sucesso que ela faz por aqui. Mesmo num país catequizado por super heróis Marvel/DC, a história policial do Agente Graves, Dizzy e outros, obteve uma resposta boa, apesar das edições desastrosas experimentadas em editoras passadas.

Neste primeiro volume temos Dizzy, uma ex-presidiária que recebe uma mala com 100 balas não rastreáveis e uma chance de se vingar daqueles que assassinaram sua família enquanto ela estava presa. A primeira premissa da série é simples, mas o que a torna genial são os roteiros de Azzarello que levam para uma conspiração sem precedentes. A ambientação também é perfeita, deixando os subúrbios barra-pesada e os personagens bastante verossímeis. Grande parte graças ao traço do argentino Eduardo Risso. Os diálogos são um dos pontos altos da publicação que buscam, ao máximo, a fidelidade das ruas.

Azzarello explora com maestria a personagem Dizzy, mostrando seus anseios e angústias, entre se entregar numa busca pela vingança, ou sua redenção, mesmo sob pressão do crime e de policiais, que insistem em importuná-la. 100 Balas inovou o selo Vertigo, que estava engessado em aventuras de fantasia e terror, como Sandman e Monstro do Pântano. Com uma proposta mais realista – que aborda violência, drogas, submundo do crime – alargou as referências do selo e se tornou um clássico dos quadrinhos adultos.

Aqui no Brasil, a série sempre foi lançada de maneira confusa e cara pela Opera Graphica. Primeiro como revista mensal, depois como álbuns de luxo; com preços variando entre R$ 49 e R$ 75. A partir deste primeiro volume, que reúne as edições 1 a 3 da edição original, a Pixel coloca nas bancas em edições compiladas, por um preço coerente e em maiores tiragens. [Paulo Floro]

Nota: 9,0

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